2012-06-23 - Mundo

Vice-presidente do Paraguai assume em meio à desconfiança internacional

Em meio ao questionamento do processo de impeachment, o vice-presidente Federico Franco assumiu nesta sexta-feira (22) a presidência do Paraguai, após a destituição pelo Congresso de Fernando Lugo.

Franco prestou juramento em meio aos aplausos no Congresso em Assunção, cerca de hora e meia após o Senado paraguaio destituir Lugo por "mau desempenho de suas funções". 

Desde o início do processo que culminou com a destituição de Lugo, membros da Unasul (União das Nações Sul-americanas) questionaram a legalidade de todo a ação. Neste sentido, os chanceleres da organização foram enviados à Assunção, capital do Paraguai, para tentar reverter o cenário de crise política. Alguns líderes levantaram a possibilidade do bloco regional não reconhecer o presidente empossado.

Os chanceleres da Unasul constataram nesta sexta-feira em um comunicado uma "ameaça" de ruptura da ordem democrática no Paraguai, se "não for respeitado o devido processo" no julgamento político do presidente Fernando Lugo pelo Congresso por "mau desempenho" de funções.

"Se não for respeitado o devido processo no julgamento político contra o presidente Fernando Lugo, estará configurada uma ameaça de ruptura com a ordem democrática", ressaltou o secretário-geral da Unasul, o venezuelano Alí Rodríguez.

O presidente do Equador, Rafael Correa, rejeitou nesta sexta-feira a "ilegítima" destituição do líder paraguaio, Fernando Lugo, e afirmou que não reconhecerá o novo chefe de governo em Assunção.

"O governo do Equador não reconhecerá outro presidente do Paraguai que não seja o senhor Fernando Lugo", disse Correa. "Já chega destas invenções na nossa América, isto não é legítimo, e não acredito que seja legal. Seguramente ignoraram os procedimentos".

Correa pediu à Unasul a "aplicação da cláusula democrática" do grupo, que "determina não reconhecer tais governos e que prevê o fechamento das fronteiras" com os países fora do sistema democrático.

"Não sabemos o que vai decidir a Unasul, mas acreditamos que deve aplicar as sanções previstas na carta democrática e não reconhecer um governo ilegítimo, inclusive com o fechamento das fronteiras".

"Chega de invenções (...), é preciso defender a verdadeira democracia, que se baseia na legalidade e na legitimidade. Oxalá a Unasul tome as decisões que deve tomar".

Ricardo Patiño, ministro das Relações Exteriores do Equador, que viajou a Assunção com a missão da Unasul, qualificou a destituição de Lugo de "ofensa e vergonha para a democracia sul-americana".

Presidente Dilma


A presidente Dilma Rousseff afirmou no Rio de Janeiro que não é momento de falar ainda se a cláusula democrática da Unasul será aplicada ao Paraguai, para o caso do impeachment do presidente Fernando Lugo, nem de fazer "ameaças".

Fonte:R7 com Agências

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