Os chanceleres da Unasul constataram nesta sexta-feira em um comunicado uma "ameaça" de ruptura da ordem democrática no Paraguai, se "não for respeitado o devido processo" no julgamento político do presidente Fernando Lugo pelo Congresso por "mau desempenho" de funções.
"Se não for respeitado o devido processo no julgamento político contra o presidente Fernando Lugo, estará configurada uma ameaça de ruptura com a ordem democrática", ressaltou o secretário-geral da Unasul, o venezuelano Alí Rodríguez.
O presidente do Equador, Rafael Correa, rejeitou nesta sexta-feira a "ilegítima" destituição do líder paraguaio, Fernando Lugo, e afirmou que não reconhecerá o novo chefe de governo em Assunção.
"O governo do Equador não reconhecerá outro presidente do Paraguai que não seja o senhor Fernando Lugo", disse Correa. "Já chega destas invenções na nossa América, isto não é legítimo, e não acredito que seja legal. Seguramente ignoraram os procedimentos".
Correa pediu à Unasul a "aplicação da cláusula democrática" do grupo, que "determina não reconhecer tais governos e que prevê o fechamento das fronteiras" com os países fora do sistema democrático.
"Não sabemos o que vai decidir a Unasul, mas acreditamos que deve aplicar as sanções previstas na carta democrática e não reconhecer um governo ilegítimo, inclusive com o fechamento das fronteiras".
"Chega de invenções (...), é preciso defender a verdadeira democracia, que se baseia na legalidade e na legitimidade. Oxalá a Unasul tome as decisões que deve tomar".
Ricardo Patiño, ministro das Relações Exteriores do Equador, que viajou a Assunção com a missão da Unasul, qualificou a destituição de Lugo de "ofensa e vergonha para a democracia sul-americana".
Presidente Dilma
A presidente Dilma Rousseff afirmou no Rio de Janeiro que não é momento de falar ainda se a cláusula democrática da Unasul será aplicada ao Paraguai, para o caso do impeachment do presidente Fernando Lugo, nem de fazer "ameaças".